sábado, 22 de dezembro de 2007

OPINIÃO

Fez faculdade de jornalismo lá em Pato Branco, dae!
Por Larissa Mazaloti
Estou no mercado. Depois de quatro anos mais ou menos suados para mim e muito suados para meus pais, porém super agitados para todos, estou prestes a assinar todo e qualquer trabalho, como JORNALISTA. Porém, bem antes disto, para o desespero dos meus bolsos e o dos meus pais, decidi que quero ser uma comunicadora social, apenas, habilitada em jornalismo e apta a exercer as funções que competem a este ramo. E digo do desespero, porque isto, de querer comunicar é coisa de gente utópica e rebelde. O lance mesmo é “pseudo-jornalistar”: recebe a pauta, marca entrevista, entrevista, redige, edita, corrige, publica, agrada e vende comercial.
Tá, é certo que em terra quase desabitada por estes seres estranhos, o povo da comunicação e do jornalismo, esta coisa de diferença entre um e outro instala uma certa confusão. Mas em si, a Comunicação Social reserva pra si três habilitações: Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. As duas últimas não me cabem pela tremenda falta de tato com as potencialidades de marketing e uma maldita aversão aos fatores capitalistas – dos quais usufruo - e aí vem toda aquela coisa da minha hipocrisia que só cabe mesmo a um analista ou aos bons amigos socialistas em tempos de barbárie, que me entendem e dividem as lástimas desta selvageria.
Em se tratando do Jornalismo, ao qual passei a me dedicar aos 16 anos no extinto Correio Regional e que pelo contato diário com a realidade me podou a literatura e a poesia – ufa, mas eu voltei! -, caí nas graças da teoria crítica ainda porcamente lida e adotei a bandeira pró democratização da comunicação, o discurso anti-Globo (exceto a Bozena, que não tem como perder), o estudo das políticas de comunicação, a comunicação popular, alternativa e comunitária, bem como a sua utilização pelos movimentos sociais como instrumento do exercício da cidadania e democracia, não só no Brasil, mas na América Latina.
Balela? Não! Tem profissional ganhando dinheiro com tudo isso, eu também quero! Foi com este tema, o do popular, que encerrei minha graduação com a nota máxima e falo isso sem medo da prepotência aparente, já que para mim, a vitória foi a do próprio assunto, e viva a comunicação popular! Além disso, foi nesta área que fui selecionada para a especialização numa universidade estadual, muito embora se tenha que desembolsar doze parcelas de R$ 100, e eu conto mesmo, porque aí está mais um grave problema, a privatização invadiu o ensino público e essa onda não pára de crescer. Mas por certo que o meu atual estado de desemprego vai abolir este sonhozinho mixuruca de ser uma teórica a favor das classes subalternas. Mas eu quero!
Quero instigar a nossa rádio comunitária de Palmas a ser de fato, uma. Quero jornais de bairro, dos indígenas, dos quilombolas, da cooperativa dos catadores de papel, dos clubinhos ecológicos, das escolas e creches municipais, da maravilhosa escola Nascer Para a Arte. Quero o povo escrevendo, entrevistando, falando, agindo! Quero escrever sem a velha chatice das técnicas jornalísticas tradicionais e o leitor quer isso, o leitor moderno que esboçar um sorriso ou derrubar uma lágrima ao ler uma reportagem. O mundo está carente de sensibilidade com os fatos que atribulam o seu cotidiano. Ou não, e talvez seja por isso que eu sou mais uma desempregada. Oh! Que fracasso!
Nesta edição do jornal Folha de Palmas onde já trabalhei e arrumei agora algumas matérias free-lance de final de ano, ousei, chutei o balde, como diz uma amiga. Esperneei comigo mesma e escrevi em primeira pessoa, descrevi ambientes e pessoas e ainda bem, quem não esperneou foi a direção do jornal, que de bom grado acolheu as minhas maluquices em captar histórias e transforma-las em poucas linhas, num recorte da comunidade.
Sei das minhas limitações e já desisti de mudar o mundo antes de ao menos, exercer minha profissão que não diz respeito apenas a minha dignidade pessoal ou profissional, mas a dignidade do povo. A Comunicação Social –SOCIAL- dá dinheiro, mas tem que dar acesso aos direitos de cidadania, democracia, crítica, respeito, cultura, educação. Se o lucro vir sem estes acompanhamentos, só não me intitulem comunicadora social, nem jornalista, porque eu, de alguma forma preciso de emprego e grana, mas deixemos em paz a profissão, para que ainda sejam salvas as próximas levas de formados.
Publicado no Jornal Folha de Palmas de 21 a 27 de dezembro de 2007.

2 comentários:

stella disse...

As matérias tão muito boas, mesmo. O artigo também. Não para de escrever, please! Quando puder contribuir, eu mando alguma coisa do MS pravc!

Carolina Virmond disse...

Lari!!! Que delícia poder ler vc!!! Amo seu texto!!! Fico receosa de que seja bom demais pra Palmas mas, como boa militante, vc gosta de desafios!!! Amei sua empolgação!!!
Vou virar freguesa, daqui e do Renitência!!! E adorei que vc foi lá no meu blog! Foi uma super surpresa!!! Apareça sempre!!! Bjos!